terça-feira, 26 de janeiro de 2016

O fim de um ciclo

                                                                                                                       
( Raquel Pereira)

Há tristezas que são amenizadas com o tempo.
O tempo segue e tem de seguir...
As feridas vão sendo curadas, sutilmente. ...

No começo desacertamos a vida tentando acertar,
fazemos uma bagunça imensa.
Mas até a bagunça faz parte do processo de cura.
Com o tempo sentimos as dores cada dia mais suportáveis.
O fardo vai sendo descarregado pelo caminho,
até que esteja tão leve que não seja mais útil.
Um dia acordamos e mesmo que tenha chuva lá fora,
percebemos que carregamos um fardo vazio, que já não faz sentimento algum.
Então desfazemos dele, desfazemos da tristeza,
E seguimos em frente...
Sem dor, sem fardo, sem tristeza.
Só com um tempo imenso e uma vida pela frente

domingo, 17 de janeiro de 2016

Nada




                                                                          Raquel Pereira


Não quero escrever hoje, talvez não queira escrever nunca mais.

Nada, nada do que possa ser dito com mão e tinta, absolutamente nada!

Nada reflete um décimo do que está na alma.

Mas, é quando não digo que elas aparecem como fantasmas e assombrações.

Recolho-me a uma mísera folha, mas nada, não há nada a dizer.

Ingrato qualquer verso que queira transfigurar o que as entranhas da alma têm a dizer.

Não há montanhas, funduras ou encostas que possam através das mãos explicar.

Escrevo e o tempo passa. Zero! zero o cronômetro da linha do tempo.

Nada, nada mais quero saber do tempo que ficou.

Que das pétalas arranco uma a uma, da flor deixo só o esqueleto, é dele que me vale o tempo, é dele que outras pétalas hão de aparecer.

Não lamento, pago com a fina pena da maldita caneta, assim zero o tempo.

Já não há devedores, já não há dever, nada! Não há nada que a alma tenha a dizer.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Minha experiência leitora




                                                                        ( Raquel Pereira )


Bons anos já se passaram, mas a memória eternizou e nunca deixou ser efêmera.

Eternizou-se, como Alves: Por ter amado!

Lembro-me ainda pequena, olhando minha mãe sempre envolta com cadernos, canetas, livros, ouvindo no rádio fitas do Padre Zezinho. Ela copiava as letras que mais gostava, eu ainda menina só a observava, achava lindo aquelas marcas que ela fazia, o caderno ganhara cor com o passar dos anos, era um amarelado muito bonito. Crescia... e ainda, não compreendia o que mamãe tanto fazia ali.

Passava muito tempo ao lado dela, não frequentava escola, meus irmãos tinham começado no Jardim de infância, usavam um uniforme azul bem bonitinho, carregavam suas lancheiras, eu ficava louca para ir com eles, mas minha pouca idade não permitia o que de certa forma era bom, pois ficava mais grudada na mamãe.
Naquela época ela tinha os cabelos negros, era um brilho interminável, muito jovem, trazia toda frescura e beleza da sua idade, mas ao mesmo tempo toda responsabilidade de uma mãe e esposa. Ela dedicava-se a escrever textos, eu só fui saber disso alguns anos depois.
Fiquei ao lado dela até quando entrei na escola, ela era cozinheira de onde estudava, as crianças a adoravam e eu guardava um ciúmes escondido toda vez que alguma criança a abraçava.
Foi meu primeiro ano, era norma da escola que todos os pais comprassem um livro para o filho, mamãe sempre foi muito malandra, ela não escolheria um livro qualquer para minha primeira experiência como leitora, dito e feito me fez encontrar com Lewis Carroll Alice no País das Maravilhas. O livro era lindo! capa dura e tudo, não tenham dúvidas que eu louca para ler aquele livro sozinha fiz de tudo para aprender a ler o mais rápido que pude.

E assim, aconteceu o meu despertar como leitora. O exemplo mais forte: MINHA MÃE, que de uma forma tão simples e fantástica me inseriu na comunidade leitora, da qual ainda tenho muito o que descobrir .

O primeiro passo foi dado na infância, a consequência já se prolonga por muitos anos e que seja assim...
Torço para que outras crianças encontrem alguma referência em sua caminhada, pessoas que as despertem para o mundo tão fantástico que é o da leitura.


#7dejaneiro
#diadoleitor

sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Pássaros não merecem gaiolas foram feitos para voar


(Raquel Pereira)


















Lembro-me de um dia lá em casa, um dia de criança, um passarinho achado no quintal , um pouco ressabiado, encostado no muro, quase imóvel....
À medida que nos aproximávamos, ele dava pequenos passos, beirando o muro, não voava. Facilmente o capturamos.
Estaria ele doente?
Afinal, qual pássaro que se sabendo como tal não queira voar? Muito estranho! Dito e feito o bicho estava mesmo doente.
Não era sua falta de ciência de se perceber pássaro que o impedia de voar. Era a asa, a bendita asa que fora quebrada.
O que é um pássaro de asa quebrada se não alguém num exílio longe de tudo o que ama. Cela para que? Não é a grade que o prende, é muito pior, cortaram-lhe o sonho.
Cuidamos, alimentamos o danado do bichinho, engordou, curou-se, o ingrato queria voar! Minha alma de criança apegada, já o tinha feito animal de estimação:
- Mamãe não o solte!
-Ah! Filhinha é um pássaro e precisa voar.
E com lágrima nos olhos, ele se foi...
Na verdade ele não era ingrato, era só o meu coração apertado pelo apego, querendo engaiolar em aconchego o amor que por ele havia dedicado.
Mamãe estava certa, pássaros não merecem gaiolas foram feitos para voar. Então cresci aprendendo a deixar livre.
Deve ser triste demais engaiolar e ser engaiolado. Com essa história aprendi que ao meu lado, só quero quem estiver a fim de ficar. Se quiser ir... adeus, até logo, volte se um dia quiser.
Que da vida só quero consertar asas e ajudar a voar. Adeus gaiolas! Voem pássaros e embelezem o céu.