domingo, 28 de junho de 2015

O Corpo

( Raquel Pereira)

Tem horas que o corpo cansa de buscas incessantes

Ele só quer  deixar que a pele absorva os raios de sol de uma tarde qualquer

Tem horas que o corpo não quer travar batalhas importantes

Ele só quer a leveza de uma brisa a acariciar a face

Tem horas que o corpo não quer o buchicho maluco das pessoas

Ele prefere o canto dos passarinhos suaves ao ouvido

Tem horas que o corpo não quer contar segundos e minutos na correria do dia a  dia

Ele só quer se perder  no tempo e espaço

Tem horas que o corpo não quer ser abraçado ou beijado

Ele só quer  a solidão de um suspiro e o prazer de ser só.

sábado, 13 de junho de 2015

Não há lágrima ou desespero que me faça retornar ao lugar que eu achava ser meu. (Raquel Pereira)

sábado, 7 de março de 2015

A vida é uma grande brincadeira

                                               (Raquel Pereira)

  Estava voltando do laboratório, uma manhã bem quente, é certo que estava no limite da manhã e começo da tarde, dirigindo-me ao ponto de ônibus.
   Acredito que nunca falei dos benefícios do transporte público, é lógico que, ter um carro é bem cômodo, te leva pra onde quer sem aquelas paradas indesejadas, tem a vantagem de traçar qualquer caminho, mas... perde em uma coisa: em um carro você deixa de observar as coisas mais engraçadas e interessantes do dia dia, coisa que conforto nenhum te proporciona. Bom...não é a respeito das vantagens e desvantagens de um ou de outro que quero ater-me nesta Crônica.
  Na passagem do meu relógio os ponteiros pendiam para tarde, abandonavam lentamente os embaraços naquela manhã. Cheguei ao ponto de ônibus, o movimento era grande, muitas pessoas iam e vinham, mas... no meio daquela loucura uma cena me chamou a atenção, uma mãe com uma menininha que tinha no máximo 2 anos e um vendedor que passava lentamente tentando refrescar a alma das pessoas.
  A figura do vendedor me inquietou, o serviço dele embora não reconhecido trazia conforto naquela manhã, vendia água! Ele gritava: OLHA ÁGUA GELADA, ÁGUA GELADA!
  Para minha surpresa a menininha tomou a fala do vendedor como uma grande brincadeira e se colocou a tagarelar: OIA AGA GILADA, AGA GILADA! Uma graça, toda vez que o homem falava ela se prontificava em repetir.
  A mãe sem entender o prazer da brincadeira, ofereceu a água gelada pra filha, que na mesma hora recusou, afinal o desejo dela não estava no objeto água gelada para saciar a sede e sim no objeto AGA GILADA como brincadeira de repetição.
  E assim foi ela repetindo cada vez mais a brincadeira, se deixando levar por um momento tão significativo e prazeroso. Bobagens para alguns, aprendizado para ela.
  O que me chamou a atenção naquele dia não foi o fato da cena em si, mas como as coisas simples vão perdendo espaço em nossas vidas, como uma simples brincadeira ou descoberta vai passando em branco, o quanto o nosso cotidiano apressado vai tampando as telas mais bonitas.
  Hoje eu fico na memória e repito mil vezes. Neste sábado eu só quero lembrar:
- AGA GILADA, AGA GILADA!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

O dia em que o amor foi embora por causa do xixi

(Raquel Pereira)

Título melhor eu não poderia encontrar, era uma quinta feira de manhã, não tão de manhã, pois as galinhas e os galos já se levantaram a muito, as fábricas já tocaram suas sirenes e os trabalhadores já entraram no trabalho.

Finalzinho da manhã, faltando algumas horas para começar à tarde, batia no relógio 10h15min por aí, não me ative tanto ao exato momento, o importante é que saibam que eu estava na sala de espera de um laboratório.

Embora o dia estivesse quente, lá estava gostoso afinal o ar condicionado fizera o seu trabalho. Uma tranquilidade, nem o choro que se ouvia bem baixinho de longe quebrava o clima agradável.

Eu não sei ao certo de que direção as duas vieram, só sei a direção em que foram (Banheiro), ela até então a mãe, a garotinha no máximo 9 anos, a tranquilidade então se quebrou deu espaço a uma cena que me cortou o coração:

A mãe em bom tom dizia:

- Vai faz logo esse xixi, nunca vi alguém demorar 3 horas para fazer um xixi!

E quanto mais ela falava menos a menina fazia. Ela foi dizendo que estava perdendo horas no trabalho, que aquilo era frescura da menina, que era só fazer, e foi dizendo uma enxurrada de papagaiadas, por fim bufando saiu batendo os pés, enquanto a menininha pelo corredor levantava a roupa e dizia:

- Mãe me espera!

Ela passou por mim com o olho cheio de lágrimas e eu só pude dizer, com olhar acolhedor;

-Pequena!

Morrendo de vontade de pegar no colo e dizer pra que não ficasse assim, xixi não pode ser comandado, que ela não tinha culpa por não conseguir fazer.

Mas tem coisas que não podemos...

Fico pensando na loucura que é o mundo adulto, cheio de prazos e exigências, você tem que fazer, precisa cumprir metas, precisa...precisa...precisa e bum!

A que ponto chegamos no mundo das exigências, ousamos ordenar como reis:

- Ei xixi saia agora! ou - Ei xixi você não vai sair.

Mas o corpo é esperto, o corpo não aceita o autoritarismo desenfreado, ele segue o que precisa seguir, doa a quem doer.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Livros


 
 

( Raquel Pereira)

Palavras...que amo......palavras que calam....livros são alimentos que matam a fome da minha alma.
Ventos leves que me levam, estrelas que brincam em meu céu, águas que matam minha sede.
Palavras que acariciam minha face.
Palavras...palavras....